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Foi em Oxford, onde me formei em matemática e filosofia, que descobri os vinhos. Tinha 20 anos e fui apresentada a um tinto da Borgonha, safra 1959, que mudou meu destino. Acabei me tornando editora-assistente de uma revista especializada e, nos anos 80, já tinha uma série de televisão. Ainda me faltava, no entanto, ser reconhecida entre os profissionais da área. Diziam que eu não tinha conteúdo, por isso decidi pleitear o título de Master of Wine. Estava grávida do meu segundo filho, já tinha uma carreira estável, mas precisava provar meu conhecimento. Como é seu trabalho junto à adega real inglesa? Faço parte de um comitê que se reúne várias vezes por ano no Palácio de Buckingham para fazer degustações e escolher que vinhos serão comprados para os convidados da rainha. Também decidimos quais garrafas serão mantidas na adega e quais estão prontas para ser abertas. E definimos que rótulos serão servidos nas grandes recepções. Nessas ocasiões, escolhemos rótulos bons, mas não necessariamente grandiosos, como um Sauvignon Blanc da Nova Zelândia. Com que freqüência viaja atrás de novidades? Quais suas descobertas mais recentes? Viajo o tempo todo, sou extremamente curiosa. Tanto o site quanto a última edição do Atlas Mundial do Vinho, que assino com Hugh Johnson, trazem novidades que descobri recentemente e me impressionaram. É o caso da produção vinícola da China, do Japão e da Índia. O extremo sul do Chile e da Argentina, favorecidos pelo clima, também tem produzido vinhos muito bons, assim como o México. E há boas novas no norte da Europa, sobretudo na Bélgica, em função das mudanças climáticas. Em que consiste o conteúdo do site? Muitos dos artigos são baseados no meu livro Jancis Robinson’s Wine Course. Para o iniciante, há seções didáticas que explicam até como abrir uma garrafa. Já para os apaixonados, oferecemos conteúdo de acesso restrito a assinantes, inclusive a versão online atualizada da minha enciclopédia Oxford Companion to Wine. Tenho uma assistente, a também Master of Wine Julia Harding, e uma correspondente nos Estados Unidos, Linda Murphy. Meu marido, Nick Lander, crítico gastronômico do Financial Times, escreve sobre restaurantes. O que a senhora ensina no site a respeito da forma correta de armazenar os vinhos? Explico que a temperatura em que são mantidas as garrafas é de suma importância. Em países quentes como o Brasil, o perigo está em atingir temperaturas acima de 27ºC. Acima disso, os componentes mais voláteis do vinho se perdem. A condição ideal é entre 10 e 15ºC, embora nada de muito ruim aconteça entre os 15º e 20º, desde que a temperatura não flutue rapidamente. Outro fator é a umidade. Se os vinhos forem guardados em ambiente muito seco durante períodos longos, as rolhas podem ficar ressecadas e perder a capacidade de selar. O lugar ideal é uma adega naturalmente climatizada, bonita, escura, com espaço para caminhar. Para a maioria de nós, porém, esse ambiente pertence ao mundo da fantasia. Quem leva vinhos a sério resolve muito bem o problema com uma adega climatizada artificialmente, com temperatura e umidade controladas, e que jamais fique perto de fontes de calor. Quais são seus vinhos prediletos? Aprecio bastante o Riesling, que considero uma uva nobre, refrescante, porém pouco valorizada. Há alguns preciosos, como o produzido por Egon Mueller na região de Saar, na Alemanha. O melhor vinho que já provei, no entanto, foi uma Magnum de Cheval Blanc 1947, que tomei na Borgonha em 1994. Já tinha experimentado o mesmo vinho em várias ocasiões, mas nunca foi tão bom. Também devo citar o Madeira, porque dura para sempre, mesmo quando aberto, e tem uma história fascinante. O que achou dos vinhos brasileiros? Desde minha última visita ao país, há quatro anos, a produção se aprimorou muito. Mas ainda falta certa complexidade e persistência. Gostei especialmente do Cabernet Reserva 1997 do Boscato. E do público brasileiro? Já sabia, pelos e-mails enviados ao site, que o brasileiro está cada vez mais interessado em adquirir conhecimento sobre vinhos e gastronomia. Algumas vezes, são eles que me fornecem informações sobre a produção do país. A esse público, aconselho sempre procurar saber mais. E, claro, ler tudo o que escrevo.
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