2007 • ANO 2 • Nº 08
Monte Sua Adega
SAIBA QUAL O TIPO QUE MAIS
COMBINA COM VOCÊ.
DIVERSIFIQUE A PROCEDÊNCIA DOS
VINHOS E LEMBRE-SE QUE HÁ ÓTIMOS RÓTULOS BRASILEIROS NO MERCADO

CARLOS CABRAL

Quem gosta de vinho sabe a falta que uma adega faz. Não precisa nem ser muito grande ou repleta de rótulos caríssimos. Mas é sempre bom ter alguns exemplares guardados para beber com os amigos ou comemorar momentos especiais. Afinal, comprar um vinho na última hora pode ser bastante arriscado. No caminho para a casa, a tendência é que o líquido se agite dentro da garrafa, o que compromete a qualidade da bebida que precisaria ficar muito tempo em repouso antes de ser degustada. O melhor, portanto, é ter em casa uma cave climatizada, pronta para socorrer o anfitrião a qualquer momento.

Uma classificação antiga, surgida em Portugal, divide as coleções de vinhos em: frasqueira (com até 20 garrafas), garrafeira (entre 48 e 60 garrafas) e adega (mais de 60 garrafas). Se você é do tipo alegre, que gosta de receber ou tem o gentil hábito de levar vinhos de presente quando visita os amigos, a garrafeira pode ser uma boa solução. Nela devem constar vinhos de consumo imediato, aqueles
que se situam hoje entre R$ 25,00 e R$ 60,00, sendo que 70% tintos, 20% brancos e 10% de espumantes ou rosés. Escolha vinhos brasileiros, chilenos e argentinos. Todos têm uma ótima relação custo - benefício.

Agora se você é do tipo reservado, que gosta de receber em casa, e curte cada detalhe do evento, desde a seleção de convidados até a escolha do cardápio ideal para a ocasião, prefira uma frasqueira. Com ela você pode revelar suas preferências. Tenha, portanto, um cuidado todo especial na escolha dos rótulos. No caso, vale investir em vinhos de qualidade que custem de R$ 50,00 até o infinito. A característica da frasqueira é: poucos e bons! Escolha rótulos (três de cada) que representem bem os vinhos brasileiros, chilenos,
argentinos, portugueses, espanhóis, italianos e franceses. As proporções são as mesmas da garrafeira: 70% tintos, 20% brancos e 10% entre espumantes e champanhes ou vinhos especiais, como Porto, Marsala, Tokay ou Sauterne.

Já com uma adega você pode brincar com o tempo. É possível planejar, reservar vinhos para o dia-a-dia e também para os momentos de celebração familiar ou eventos importantes. Uma boa adega, para ser consumida em dois anos, deve ter, no mínimo, 240 garrafas, sendo que dos vinhos que mais lhe agradam o mínimo é de seis garrafas para cada rótulo. Assim como você escolhe os amigos, os
vinhos devem ser muito bem selecionados. Mas lembrese que não é todo dia que estamos dispostos a degustar uma peça rara de nossa coleção. E não esqueça também que uma adega é um bem comum e não privado, compre alguns rótulos que sejam da preferência de seus amigos. Afinal, vinho não foi feito para ser degustado só, pede companhia, e mais, muito boa companhia!

Caso você não possa comprar uma cave refrigerada, o que seria ideal, reserve um local mais seco e escuro para guardar as garrafas. Prefira sempre áreas com boa circulação de ar para evitar a proliferação de fungos e bactérias, extremamente nocivos às rolhas das garrafas.

Hoje, existem muitas boas opções de vinhos no mercado. A cada dia surgem novos rótulos. Com o dólar em queda os preços estão, paulatinamente, chegando ao patamar ideal. No final do ano, com a chegada das novas importações, o mercado estará ainda mais atraente.

Partilhe os melhores momentos de sua vida ao lado da pessoa que você ama e de amigos queridos, sempre acompanhado de uma boa garrafa de vinho. Saúde!

O BOM MOMENTO DO BRASIL

Nos últimos dez anos, o Brasil tem-se destacado na produção de vinhos de ótima qualidade. Nossos viticultores, apoiados por uma jovem equipe de engenheiros agrônomos e enólogos, formaram um tripé, onde a qualidade superior é a meta. Devido a este esforço, novos horizontes vinícolas estão surgindo.

Hoje, além da tradicional e primeira Região Vinícola do Brasil, a Serra Gaúcha, temos vinhos em Santa Catarina, na Região de São Joaquim, na nova Região da Campanha, na região do Vale do Rio São Francisco, na Região de Toledo, no Paraná, no interior de São Paulo e de Minas e em Campos de Cima da Serra, também no Rio Grande do Sul. Com tamanha diversidade, surgiram
vinhos novos, todos elaborados com viníferas superiores. Recomendo alguns rótulos que podem e devem ser considerados orgulho nacional.


QUINTA DO SEIVAL CASTAS PORTUGUESAS

Produzido pela Família Miolo, na Campanha Gaúcha, é a primeira experiência brasileira com uvas típicas de Portugal. Um tinto elegante, elaborado a partir das castas Alfrocheiro Preto, Touriga Nacional e Tinta Roriz. Sua cor é grená e seus aromas são delicados, com um leve toque de baunilha, resultante de sua maturação em barricas de carvalho novo. Tem também suaves toques de especiarias, morango e cereja. Recomenda-se deixar aerar por 30 minutos antes de degustá-lo. Acompanha carnes nobres grelhadas ou assadas.
  LIDIO CARRARO GRANDE VINDIMIA 2002 - MERLOT

Elegante, requintado, com corpo e alma marcantes. Aromas levemente fumados e com sinais de frutas vermelhas maduras. Produzido por uma família, do Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, que trata seus vinhos artesanalmente. É ótimo para acompanhar carnes nobres de cordeiros e carnes de caça em geral.
RAR - TINTO

Elaborado em Campos de Cima da Serra, uma nova região vinícola gaúcha. É um corte de Cabernet Sauvignon e Merlot. Sua juventude é perceptível através de seus aromas herbácios. Na boca, é ligeiro e agradável e tem taninos maduros. Massas e carnes em geral são boas companhias.
SALTON DESEJO

Um monumento ao vinho nacional. Este vinho de Merlot reúne todas as superiores qualidades que se espera de um vinho memorável. Tem cor, aroma e sabor bem definidos. É uma obra de arte que orgulha a vitivinicultura nacional. A liberdade de degustação é a recomendada, pois para este tipo de vinho, o momento e a companhia com quem degustamos é o mais importante.
PIZZATO RESERVA CABERNET SAUVIGNON

Uma tradicional família de vinhateiros do Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, assina este maravilhoso vinho. Um árduo trabalho e uma forte convicção de fazer sempre o melhor, levaram os Pizzatos a serem reconhecidos como excelentes produtores. Um vinho jovem, elegante, com aromas herbáceos. Rubi claro. Ideal no acompanhamento de carnes embutidas e assados.
     
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