2007 • ANO 2 • Nº 08
Verdades e Mentiras Do Mundo Dos Vinhos

MANOEL BEATO*

Diante das tantas histórias que tangem o universo do vinho, o apreciador de voto da prática, e voraz pela verdade teórica, fica titubeante. Nem tanto pela embriaguez de alguns copos a mais, mas pelas tantas informações contadas, inventadas, omitidas ou exageradas que nos chegam pelos diversos veículos de comunicação, sobretudo o boca a boca. A partir daí criam-se mitos, que nos deixam aflitos. Vamos a alguns deles.

"Quanto mais velho melhor"

Cada vinho tem seu potencial de envelhecimento. Alguns não podem durar mais que um ou dois anos a partir da elaboração. Outros suportam cinco, 10, 20 anos ou mais. E pode haver outros ainda excelentes com mais de 100 anos. É necessário pesquisa para
entender o potencial de cada um, analisando região, produtor, tipos de uva, safra, além da maneira de elaboração. Um vinho tem três fases. A da juventude, quando não desenvolveu todos os aromas, mas dá grande prazer; a da maturidade, quando sua estrutura já se
amacia e seus aromas já se desenvolveram expressivamente (para os grandes vinhos essa fase pode durar décadas). E por fim a da decadência, que para os amantes das artes do fim do século XIX, como eu, é uma fase que pode nos levar às alturas pelas peculiaridades, às vezes até um pouco estranhas, de cores, aromas e sabores. Atentos, é claro, para diferenciar o decadente do já moribundo e desagradável.

Há outros vários pequenos mitos.
São os preciosismos:

• Rolha com certo pó aveludado entre a superfície e a cápsula não é sinal de problema.

• Se ao beber um vinho numa ocasião informal ou numa mesa onde haja tantos vinhos, usar o mesmo copo onde foi servido o anterior, quando no copo sobraram duas gotas de vinho, não vai alterar o sabor do segundo. Embora haja exceções.

• Em vez de deixar o vinho aberto para que abra seus aromas, prefira servi-lo de uma vez nos copos, que terão uma abertura maior e
proporcionarão maior aeração. Melhor ainda seria passá-lo para um decanter ou uma boa jarra.

• Vinho tinto não é melhor que vinho branco. Existem brancos fabulosos e tintos medíocres. Abra sua mente.

• Vinho do Porto sem menção de safra no rótulo só perde com o envelhecimento. Nesse caso quanto mais velho pior.

• As lágrimas que escorrem na lateral do copo e nos proporcionam uma beleza visual encantadora pouco dizem sobre a qualidade do
vinho. São oriundas basicamente do glicerol, um álcool superior que dá certa untuosidade ao vinho.

• Dizer que provou um Chardonnay ou um Merlot (uvas) não significa nada. Qual a origem? Qual a safra? Qual o produtor? Que vinhedo?
Cada vinho é único.

• Tem ainda um discurso corrente que o melhor custobenefício ou preço-performance está no Chile, na Argentina e, às vezes, em
Portugal e Espanha. Separem bons exemplares dos mesmos em qualquer faixa de preço que eu entro com franceses da mesma faixa. O desafio está proposto. Há excelente preço-qualidade no país dos Châteaux, assim como em quase todos os países vinícolas.
Viva a diversidade.

Essas são apenas algumas dicas para desmistificar tolices, que também fazem parte desse universo mágico, mas palpável,
o mundo do vinho. De tantas outras poderei falar nas próximas edições. Também a nós sommeliers, não vale a pena mitificar. Somos apenas seguidores dos bons vinhos a serviço de bons bebedores como vocês. Saudações Báquicas

*Sommelier do Grupo Fasano

2007 • ANO 2 • Nº 08
  :: Últimas Notícias
 

- Edição 09 - Trilhas do vinho
- Edição 08 - Verdades & Mentiras do mundo dos vinhos

 
Quem somos  l  Contato  l  Cadastre-se  l  Assine já  l  Notas  l  Em Boa Companhia  l  Decoração  l  Serviço  l  Patrimônio Líquido
Harmonização  l  Adega  l  Estilo  l  Check-In  l  Dioniso Clube  l  Última Palavra  l  Gastronomia  l  História  l  Roteiro de Charme  l  Personalidade
© Copyright Ad Caves Magazine 2008 - Todos os direitos reservados.